Porque é preciso inovar!!!
Me dirijo à comunidade acadêmica da UERGS, por entender do compromisso que temos todos de participar deste momento pré-eleitoral interno pelo qual estamos passando.
Aos que não me conhecem, certamente a maioria desta Universidade, me permitam que me apresente.
Ouvi pela primeira vez falar de uma “Universidade estadual” ainda em 1991, quando o assunto já era bandeira de segmentos da sociedade sul-rio-grandense. Eu recém havia formado em Agronomia pela UFRGS, e lembro-me de fantasiar a ideia de algum dia ser professor de uma Universidade estadual. A ideia me parecia inovadora. Ali já se delineava uma vocação acadêmica de um jovem e inexperiente recém formado Engenheiro Agrônomo. O tempo passou e, exatos dez anos depois, a vontade política de um governo, a pressão da sociedade civil e a maturidade do parlamento resultaram naquilo que talvez possa ser uma das maiores inovações na política do Rio Grande do Sul – criar uma Universidade pública, voltada ao desenvolvimento das regiões deste estado. Já não era sem tempo. O estado da federação que inovou na gestão pública quando da implantação dos Conselhos Regionais de Desenvolvimento, em 1994, configurando uma nova matriz institucional na gestão dos recursos públicos, na aposta da descentralização como paradigma de desenvolvimento, daria agora mais um passo importante com a criação de um instrumento com o papel de contribuir para o desenvolvimento das regiões através do conhecimento e da inovação tecnológica.
Em 2001, quando a UERGS foi então criada, e sua reitoria ainda funcionava em um modesto espaço no Centro Administrativo Fernando Ferrari, fui convidado a participar de um seminário com o propósito de colher contribuições para a criação de cursos. Foi num processo crescente de envolvimento que acabei participando das discussões que resultaram na criação do Curso de Bacharelado em Desenvolvimento Rural e Gestão Agroindustrial. Um projeto construído com grande participação de instituições e de pessoas sérias da pesquisa agropecuária estadual e federal, de instituições de ensino públicas e comunitárias e da assistência técnica e da extensão rural, além de organizações cooperativas e sindicais. Foi nesse caldo de cultura que a jovem Universidade iniciava seus primeiros passos.
Em 2002, ingressei na Universidade como professor contratado emergencialmente, e os anos se passaram. Foram três processos seletivos e três contratos temporários entre 2002 e 2008. Fui professor nas unidades de Encantado, Cachoeira do Sul, Sananduva, Bom Progresso, além de ter atendido às turmas conveniadas com os movimentos sociais do campo em Braga, Ronda Alta e Sananduva. Durante a maior parte deste período, conciliei minhas atividades docentes na unidades com a função de assessor na reitoria, onde atuei na Pró-Reitoria de Ensino e na Pró-Reitoria de Extensão, função que desempenhei nas três gestões pró-tempore, tendo havido sempre de parte a parte uma relação de respeito mútuo. Mesmo nos momentos em que minha posição foi minoritária, prevaleceu o entendimento de que a Universidade deveria estar em primeiro lugar. Talvez o caso que melhor ilustre isso foi quando da extinção do Curso de Desenvolvimento Rural e Gestão Agroindustrial. Vi valorosos colegas professores e estudantes defenderem corajosamente o curso e vi também outros se calarem ou fazerem coro ao discurso não menos ideológico do caráter ideológico do curso. Hoje, assisto com alegria a implantação de cursos com o mesmo perfil em outras universidades públicas, mas me entristece perceber que a UERGS deu um passo atrás. Teve receio de inovar. E isto não é bom.
Uma Universidade se caracteriza essencialmente por uma instituição de reprodução e produção de conhecimentos. A reprodução pura e simples do conhecimento subtrai da Universidade o seu caráter inovador, de vanguarda.
Hoje sou professor efetivo desta Universidade, nomeado por concurso público como Assistente em Desenvolvimento Regional, lotado na Unidade de São Francisco de Paula e coordeno o Curso Superior de Tecnologia em Gestão Ambiental. Posso dizer que foram dois presentes recebidos no ano de 2009: o primeiro ter sido nomeado para a UERGS, aquela com a qual fantasiei lá em 1991, e o segundo ter sido acolhido de forma calorosa em São Francisco de Paula, pelos colegas professores e agentes, pelos estudantes e por aquela comunidade. Terra de gente boa, que te olha no olho e te cumprimenta na rua. De um sorriso franco e sincero. Voltei a fazer o que gosto, estar numa sala de aula!!! Todas as dificuldades que a UERGS possa ter, não diminuem a satisfação de estar numa sala de aula entre estudantes. Posso me considerar um privilegiado, pois tenho tido nestes últimos anos o privilégio de partilhar das dúvidas e das “quase certezas” de homens e mulheres, jovens e maduros. Testemunhos que me fizeram embargar a voz quando afirmaram que, se não fosse a UERGS, jamais teriam tido a possibilidade de cursar uma Universidade. No caso das mulheres, isso é ainda mais verdadeiro, pois para muitas delas dificilmente os pais iriam permitir que saíssem de casa, que fossem para uma grande cidade estudar. Graças a estes homens e mulheres, jovens e maduros, tenho tido muitas alegrias. E é por isso que, quando tenho que passar as noites, os feriados, os finais de semanas preparando aula, corrigindo trabalhos, ou quando preciso peregrinar de um lugar a outro para atender às demandas da Universidade, por falta de professores, penso na alegria que me proporcionam os momentos em sala de aula e o quanto sou um privilegiado.
Ao mesmo tempo, se fiquei nesta Universidade foi movido por uma grande paixão e quero ver a UERGS crescer, mas acima de tudo inovar!!!
Se tiver que passar noites ou finais de semana estudando que não seja para me apropriar de outro conteúdo para cobrir a falta de professores, mas que seja para aprimorar os meus conhecimentos, e assim oferecer aos estudantes um ensino de melhor qualidade. Se tiver que peregrinar, que não seja para “quebrar-galho”, mas para acrescentar qualidade ao ensino oferecido pela UERGS, para desenvolver pesquisa em parcerias com outros colegas e outras instituições, ou atividades de extensão.
Desejo uma Universidade não apenas capaz de se ouvir, mas que seja capaz de ouvir a sociedade, seus anseios, suas necessidades, que saiba interpretá-las e que tenha a capacidade de interlocutar, não sendo apenas instrumento, correia de transmissão, mas também sujeito, que seja um *agente* parceiro no desenvolvimento das regiões do Rio Grande.
Para que isto ocorra, será necessário ter à frente da Universidade uma direção capaz de ouvir a comunidade acadêmica, as diferentes realidades vividas pelas suas unidades, suas demandas, suas contribuições, não de forma populista, mas respeitando suas instâncias deliberativas e consultivas. Neste caso, é mister que sejam constituídas todas as instâncias às quais se refere o Regimento Geral da Universidade. Os Conselhos Consultivos Regionais serão espaços chaves de interlocução com as comunidades regionais. Por eles, a Universidade terá canais abertos de interlocução com as regiões. É preciso pois ousar, inovar!
Tenho por todos os colegas professores que, neste momento, concorrem ao pleito da reitoria um profundo respeito. Afinal, todos nós ficamos na UERGS e pela UERGS! Mas, gostaria de manifestar publicamente meu apoio à Chapa 3 – INOVA UERGS!
O professor *Fernando Guaragna Martins* e a professora *Sita Mara Lopes Sant’Anna* preenchem os requisitos que entendo serem necessários para conduzir nossa Universidade neste momento tão delicado, onde será necessário conjugar o diálogo com a determinação, e a capacidade de interlocutar com os diferentes atores, desde o poder público nas diferentes esferas – federal, estadual e municipal, até os agentes econômicos e sociais.
O desprendimento de ambos e a capacidade de unificar diferentes pontos de vista em torno de um projeto comum, criando as condições para a concretização da Chapa INOVA UERGS! demonstra a maturidade e a capacidade para o diálogo que os mesmos possuem.
Roubo um verso do poema Adieu de Rimbaud (1873) para descrever o tempo presente: Et à l'aurore, armés d'une ardente patience, nous entrerons aux splendides Villes.
Os professores Guaragna e Sita Mara são porta-vozes de um grupo de professores, funcionários do quadro administrativo e estudantes que desejam ardentemente fazer desta uma grande e inovadora Universidade.
É hora pois de ousar!!! No dia 02 de julho vote Chapa 3, e vamos juntos inovar!!!
E ao amanhecer, armados de uma paciência ardente, nós entraremos nas esplêndidas cidades.
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Leonardo Beroldt
Professor Assistente
Coordenador do Curso Superior de Tecnologia em Gestão Ambiental
Universidade Estadual do Rio Grande do Sul
Unidade de São Francisco de Paula